John “Maddog” Hall, diretor executivo da Linux International, é um dos mais ativos membros da comunidade do software livre. Ele convive com o Linux desde 1994, é um veterano engenheiro eletrônico e programador e escreveu o livro “Linux for Dummies”, em que explica como funciona o sistema do pingüim. Na Linux Expo, em SP, “Maddog” fez um dos keynotes. Aqui, fala de seu trabalho, Linux, supercomputadores e copyright.
Que tipo de trabalho faz a Linux International em relação ao software livre? JOHN “MADDOG” HALL: A Linux International busca, antes de tudo, promover o Linux. As várias empresas-membros procuram divulgar o sistema de diferentes maneiras. Procuramos trabalhar com associações comerciais para montar eventos semelhantes a esta Linux Expo. Também cuidamos de nossos direitos.
Quando a patente do Linux foi reivindicada por um indivíduo em Boston, por exemplo, contratamos um advogado, pegamos a patente e a designamos ao próprio criador do sistema, Linus Torvalds. Ajudamos a protegê-la até hoje. Também ajudamos a suportar certificações em Linux. Recentemente reestruturamos nosso estatuto para passarmos a aceitar grupos de pessoas como membros.
Quantos sistemas Linux há instalados hoje no mundo, aproximadamente?
HALL: Bem, em 1991 só havia uma pessoa usando Linux, o próprio Linus Torvalds. Quando comecei a me envolver com ele, em 1994, já havia cerca de 125 mil pessoas usando. Em setembro de 1998, a estimativa era de 12 milhões de instalações de Linux no mundo. No começo de 2000, já havia 20 milhões de sistemas instalados, enquanto hoje a estimativa fica entre 30 e 35 milhões. Mas esse número pode ser maior. Segundo a Red Hat, para cada CD que eles vendem, sete usuários baixam cópias de Linux de seus servidores. Um amigo meu tem um mirror do site da Red Hat, a partir do qual baixa o Linux e queima CDs, disseminando assim outras “quinhentas” instalações do sistema. E tudo isso é absolutamente legal.
Hoje muitas distribuições Linux usam software proprietário junto ao de código aberto. Como vê isso?
HALL: Enquanto elas assinalarem claramente o software proprietário dentro da distribuição e mantiverem a parte livre e gratuita da versão bem visível e disponível, não vejo problema, é apenas mais um modelo de negócio. Do contrário, é algo reprovável.
Você disse em seu keynote que o Linux tem vários usos em supercomputadores, como pesquisas em física quântica. Que outros exemplos há?
HALL: Previsões meteorológicas, estudo do aquecimento global, prospecção de petróleo e gás — em que se usam fotos de satélite para designar as áreas potencialmente exploráveis —, renderização de filmes inteiros, estudo do genoma humano... Aqui mesmo na USP chegaram a usar sistemas baseados em Linux para detecção de câncer.
Qual sua opinião sobre o debate mundial em torno do copyright, envolvendo Napster, DeCSS e o próprio Linux?
HALL: Em minha opinião pessoal, as pessoas têm direito ao copyright do que produzem, seja música, software ou o que for. Mas eu as encorajaria a pegar seu material com copyright, virá-lo “do avesso” e colocá-lo sob a GPL (General Public License, que regula os direitos de material free ).
Você fechou seu keynote dizendo que, acima de tudo, o Linux deveria ser divertido. Todo esse interesse dos gigantes da indústria não tira um pouco dessa diversão?
HALL: Não, com certeza usar Linux ainda é muito divertido. Sempre digo isso como um alerta aos empresários: se trabalhar com Linux não é tão divertido para vocês quanto ganhar dinheiro, então estão fazendo alguma coisa errada ( risos ).